terça-feira, 2 de março de 2010

Entrevista de Campinho ao blog FutebolStorming

Apresentamos de seguida a entrevista com Campinho, jogador do Varzim Sport Clube:

1- Gostávamos que, brevemente, descrevesses o teu percurso, nos escalões que consideras mais relevantes e mais importantes na tua formação, até ao momento actual, seniores do Varzim.

Comecei nos iniciados do clube da minha terra, o M.A.R.C.A (Vila Cova, Barcelos), saindo deste para os juvenis do Marinhas onde joguei dois anos. No primeiro ano de júnior mudei-me para o Varzim, onde, passado pouco tempo assinei contrato de formação. O contrato profissional apareceu no final da segunda época de juniores. Este é o 5º ano como profissional no Varzim.

2 - Se tivesses carta-branca para eleger um clube em Portugal qual escolherias e porquê?Fora os três grandes, onde qualquer profissional gostaria de jogar, o Braga e o Guimarães são os meus preferidos. Pela proximidade, organização, grandeza e massa que os acompanha. São dois clubes que qualquer jogador gostava de ter representado na carreira.

3 - Sentes que ainda vais a tempo de fazer parte de um desses clubes?Concerteza. A ambição tem que fazer parte de qualquer profissional. Sei que é difícil atingir esse patamar, mas trabalho todos os dias para que um dia possa subir na carreira. Estou num bom clube para me preparar para esse futuro, e sei que se quero chegar lá, tenho que trabalhar muito no clube onde estou, o Varzim.

4 - Consideras, por experiência própria, que ter um balneário unido é meio caminho andado para o sucesso desportivo?Qualquer jogador, para ter sucesso, precisa do sucesso dos colegas, e consequentemente, da equipa. Se uma equipa está mal, os jogadores da mesma não são falados. Se uma equipa está bem, é porque os jogadores são bons, e toda a gente repara. No Varzim, praticamente único clube que representei, sempre passamos por muitas dificuldades. Como devem imaginar, se o balneário não fosse unido e não déssemos as mãos ia ser muito mais difícil. O balneário é o coração de qualquer equipa!

5 - Quando dizes "passamos por muitas dificuldades", refere-se a que tipo de dificuldades? Financeiras, que são públicas?Principalmente essas, como são do conhecimento de toda a gente. Mas o dia-a-dia traz outras dificuldades que temos de ultrapassar todos os dias.

6 - Porque é que depois de teres ido as selecções nacionais, te "apagaste" do panorama futebolístico?
A vida tem destas coisas. Não gosto de arranjar desculpas para me desculpar a mim próprio. O meu espaço está a ser conseguido agora, coisa por que esperava há muito tempo. Se por algumas vezes me senti injustiçado, isso só me deu mais força para continuar a trabalhar e conseguir ser melhor para conquistar um lugar e mostrar o meu melhor. Tenho conseguido coisas bonitas, e as coisas más só servem para eu aprender e ser melhor. Quando estamos bem temos de lutar a dobrar para não voltar àquilo que nos revolta: não jogar! Falando propriamente do "panorama futebolístico", os jogos pintam esse panorama! O passado já lá vai...

7 - Mas sentiste-te injustiçado por alguém em particular? Guardas alguma mágoa para com algum seleccionador em particular?
Nunca representei nenhuma Selecção Nacional, apenas selecções de distrito como a de Braga onde vencemos o torneio em que participei. A mudança para a Póvoa já no escalão de juniores, prejudicou-me porque não pude dar seguimento a esse trabalho...

8 - Porque é que, no teu entender, os clubes não apostam nos jogadores da formação e preferem jogadores emprestados e/ou estrangeiros, por vezes desconhecidos e de qualidade muito duvidosa?
Primeiro dizer que Portugal, tem jogadores jovens com muita qualidade. O futebol está a passar por uma crise muito grande, sentida nos clubes de menores dimensões que por vezes não têm recursos. Isso é um factor que está a mudar o sentido da tua pergunta, ou seja, os clubes começam agora a apostar no que têm de bom. Mas para justificar esse fenómeno é simples: a competitividade é muita, as equipas são muito homogéneas, e por vezes os jovens não estão preparados o suficiente para serem lançados às "feras". Um jogo não é só técnica. Envolve experiência, calma, boas decisões. Como devem imaginar, ter só jogadores jovens pode criar um défice desses factores, que podem decidir jogos... Depois há outros factores, gerados pela globalização a que o mundo assiste. Cabe aos jovens trabalhar ainda mais e melhor para os clubes apostarem neles.

9 - Mas sentes que quando um jovem sai dos juniores, não está preparado para se integrar numa equipa sénior?
Depende de todo o processo de formação que esse jogador teve, as divisões em que participou e as vezes que trabalhou com os seniores. Eles só podem estar bem preparados se trabalharem com os profissionais. E é isso que se nota que está a mudar. Os jovens já treinam com a equipa profissional, sendo postos à "prova" e vendo o desempenho destes junto dos mais velhos.

10 - Como descreves a tua estreia em Guimarães, contra o Vitória, num estádio cheio, num ambiente infernal, em que o Vitória lutava pela subida, que depois conseguiu conquistar?
Esse foi o jogo que marcou a minha carreira e a maneira como passei a ver as coisas. Nesse jogo aprendi mais do que em grande parte da minha carreira. Foi, como disseste, a minha estreia a titular, num estádio capaz de atormentar um jovem da minha idade, frente a uma equipa a jogar com os seus recursos todos. Fui, como já disse, lançado às "feras" quando a equipa atravessava uma má fase. Felizmente correu bem e, apesar do empate, saímos felizes de Guimarães.

11 - Nestes jogos a motivação supera a ansiedade? Ou a ansiedade é algo incontrolável em ambientes como o que referiste?
No meu caso, após 5 minutos de jogo a ansiedade (que diga-se, era muita), foi ultrapassada e apenas estava concentrado no jogo. Estava tão feliz por estar ali, era uma sensação única! Portanto tinha de desfrutar do jogo e preocupar-me em jogar bem para continuar a ser opção.

12 - Se pudesses eleger o teu melhor jogo, qual seria? E o pior?
O meu melhor jogo diria que foi em Chaves, a apenas algumas jornadas atrás, onde vencemos e estive bem em lances complicados. O pior, diria que foi contra o Freamunde, há uma semana atrás, não pelos 90 minutos, mas pelo último minuto do encontro, onde quando tentava proteger o guarda-redes de uma bola perdida na área, esta tabelou em mim e entrou, cedendo um empate num jogo que tivemos muitas oportunidades para marcar, ultrapassando assim esse adversário na tabela classificativa. Foi um aperto no coração, foi o juntar da tristeza de toda a gente que estava no estádio. Mas estas coisas acontecem e só me tornou ainda mais forte.

13 - Tens a oportunidade de agradecer publicamente a um dos teus treinadores: qual escolhes e porquê?
Todos os treinadores são importantes pelas diferentes teorias que têm e pelo que exigem de nós. O mister Horácio Gonçalves como o primeiro treinador que tive, foi muito importante. Depois o Mister Diamantino deu-me muitas oportunidades e aprendi com ele a ser frio e forte. O Mister Eduardo Esteves é talvez o mais importante por várias razões: já trabalho com ele desde as camadas jovens, foi ele quem acreditou em mim no jogo em Guimarães e que agora me está a dar estas oportunidades. Sabe ser amigo de quem o é para ele.

14 - Qual o jogador mais difícil de marcar que já enfrentaste?
Isso é uma resposta difícil porque já enfrentei muitos e cada um tem as suas características que nós temos de ter engenho para as bloquear. Não tenho nenhum nome a assinalar.

15 - E qual o melhor jogador que jogou na mesma equipa que tu?
O Mendes, está actualmente no Varzim, emprestado pelo Braga. É dos jogadores mais rápidos e com técnica com quem já joguei. É imprevisível e decide um jogo a qualquer momento.

16 - Pelo que sabemos, és alguém muito querido por parte dos adeptos do Varzim. Alguma palavra em especial para eles?
Qualquer jogador que jogue no Varzim fica deslumbrado com o carinho dos adeptos. São exigentes mas no final estão sempre ao nosso lado. Vão connosco para todo o lado e sabem assobiar quando devem, mas também sabem bater palmas mesmo quando perdemos. Eles são a imagem de marca do Varzim! A eles um obrigado por tudo que, mesmo sem darem por isso, fizeram-me crescer como jogador.

17 - Para terminar, como classificas a presente época, e o que esperas da tua carreira daqui para a frente?Esta época está a correr especialmente bem. Fiz uma boa pré-época e tenho mantido as boas exibições. Para mim espero continuar a jogar e a ajudar a equipa, que apesar das dificuldades, tem apresentado um bom futebol. Temos um balneário forte, com bons jogadores, e estamos unidos para enfrentar a competitividade da segunda liga, e atingir os nossos objectivos o mais rápido possível.


Fonte/Creditos: FutebolStorming

2 comentários:

futebolstorming disse...

Boa Noite,
Parabéns pelo V/ blog e parabéns por darem destaque a um jogador que o merece, pelo que faz em campo, e pelo ser humano absolutamente genial que é.
Penso apenas que vos ficava bem indicar a fonte da entrevista, ou, caso contrário, indicar se foram vocês que a fizeram. Não temos nada contra a publicação de algo que foi feito por nós, até porque a informação é para se partilhar e o que queremos é o sucesso do Varzim e neste caso do Campinho mas penso que uma referência ao site onde foram buscar a entrevista não vos ficava mal.
Saudações,
Futebolstorming

Suga disse...

Desculpa nao meter o vosso link, de fato estava com pressa e esqueci, por isso so meti no titulo mas ja atualizei, e espero que continuem a dar destaque aos jogadores do Varzim que e o que eles merecem.

Cumprimentos.

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